Fuxico de Mulher » Blog Archive » Conexão Carioca: Onde se escondeu a minha saúde? Uma homenagem!
7
abr
2016
Conexão Carioca: Onde se escondeu a minha saúde? Uma homenagem!
Categorias: Fuxicos
translation services usa

Fuxiqueiros e Fuxiqueiras,

Hoje dia 07 de abril é comemorado o dia Mundial da Saúde e a Conexão Carioca, resolveu essa semana trazer um post mais reflexivo para falarmos a quantas anda a nossa saúde. Tenho que revelar agora que me deu um frio na barriga, porque eu simplesmente abandonei minha saúde de um ano para cá, e não sei onde ela está escondida agora.

April-7-World-Health-Day-Calendar copy

Tem uma explicação? Não porque não há explicação para se abandonar do jeito que eu me abandonei, mas tenho um motivo, infelizmente do fundo do meu coração, eu tive um “motivo” e já que é um post reflexivo, é essa história que vou contar para vocês, mas já aviso, vai ser longa, porém garanto emoção e muita sinceridade no meu relato, e já agradeço a quem conseguir me aturar até o fim!

A HISTÓRIA

A vida tem muitas surpresas reservadas para nossa trajetória, minha mãe perdeu a própria mãe aos 11 meses de idade, sendo criada pelos avós eles “contrataram” uma dama de companhia para ela, uma menina do interior que tinha 6 anos a mais que minha mãe. A mãe dela trabalhava próximo, então deixava a menina lá para brincar com minha mãe, e ela não ser criada somente por idosos. Acho que foi uma ideia de vanguarda, já que estamos falando dos anos 40. Essa “amiguinha” da minha mãe, cresceu e acompanhou minha mãe até a adolescência, tendo até que ir no cinema junto com o namorado de minha mãe. Segundo ela me contava, minha mãe namorava muito, então essa era uma tarefa difícil porque no escurinho do cinema, Mamy´s esperta evaporava, e ela ficava doida, chegou a chorar uma vez. Nessa época já era uma jovem, mas ainda era bicho de mato, como costumamos dizer.

Izabel, o nome dessa dama de companhia de minha mãe. Saiu da casa dos meus bisavôs quando minha mãe já não precisava mais de “amiguinha” para brincar e até já a rejeitava um pouco, pois queria sua independência, como querem todos os jovens. Ela continuou sua trajetória de vida, como doméstica em alguns lares, sem nunca perder o contato com minha mãe.

Quando minha mãe se casou e já estabelecida em sua nova residência de mulher casada, Izabel apareceu para fazer uma visita, com grandes novidades sobre sua vida. Havia feito vestibular, passado no vestibular para fazer Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em um escritório de contabilidade como assistente. Já estamos nos anos 60, e o salário do Brasil já era ruim. Com o que ganhava, não conseguia se manter em um lugar decente, então estava passando dificuldades. Na hora minha mãe a convidou para morar na minha casa, o que tinha a oferecer era um beliche no quarto de empregadas, e ela aceitou.

Tudo mudou na vida de Izabel quando eu nasci, um ser pequeno e roliço e mesmo sem ter uma cama, ela dormia no chão colada no meu berço, e foi assim que eu aprendi a só dormir ouvindo rádio, tive vários na infância, e confesso que até hoje não sei como perdi essa mania, que Izabel carregou a vida toda, ouvindo a Rádio Tupi, e sei que só os mais velhos entenderão.

Meu pai não era exatamente pão-duro, mas era muito prático e objetivo nos seus gastos, então, mesmo com minha mãe pedindo que Izabel não fizesse isso, ela dormia no chão ao meu lado. Essa coisa do meu pai ser “prático” para gastar dinheiro, fez com que eu nunca tivesse um quarto de bebe, então, como meu berço era grande, até quanto deu eu continuei nele, quando sai fui direto para chão junto com minha Bebel. Meu pai, sim, novamente ele, só foi fazer um quarto para mim, quando eu já estava com uns 7 ou 8 anos, isso eu não lembro ao certo, e meu primeiro quarto, já era meu e da Bebel. Eu na cama de cima, ela com seu rádio insuportável na cama de baixo (sim eu passei a não gostar), no armário metade era meu, 1/4 era dela e 1/4 era do meu pai, sim ele novamente, economizando as minhas custas. Quando eu entrei na “aborrecência”, eu tive minha rebeldia também (que coisa chata é a adolescência), queria minha individualidade, e ela resignada voltou a dividir o quarto com a empregada, mas me acordava todas as manhãs, porque sempre saiu muito cedo de casa, e o armário dela continuou no nosso quarto. Como me doeu essa separação, mas adolescente é um bicho muito estranho. Logo depois dessa breve separação meu pai faleceu, e não podíamos mais ter empregada, então éramos somente nós três lá em casa. Eu, Mamy´s e Bebel, cada uma no seu quarto.

Quando eu completei 18 anos e fui morar 6 meses no Estados Unidos, Bebel chegou à conclusão que ela também merecia ter o canto dela, que ela escolheu bem pertinho de nós, no mesmo prédio. Guerreira e lutadora que era conquistou sua própria casa dois andares abaixo da nossa. Com essa distância maior, nosso encontro passou a ser diário por volta das 20:00 horas, quando ela subia, pegava uma cadeira, assistia TV até as 21:00 e ia embora muitas vezes levando o safado do Teddy, que passou a ser o bebezinho dela, nos últimos tempos. Também nos comunicávamos pela área de serviço, em que eu gritava: Oi minha neguinha! E ela brigava comigo dizendo que era racismo, gritar isso no meio da área de serviço (tomara que eu não seja processada).

Essa foi minha vida com Bebel sempre do meu ladinho, minha confidente, me ajudou a escrever carta de amor, me consolava quando eu me achava a gorda (e ela me chamava assim de forma carinhosa: minha gorda), sendo minha confidente para algumas safadezas, me ouvindo e principalmente me entendendo, me acompanhando, quebrando meus galhos, escondendo na casa dela alguma compra que eu não deveria ter feito, comendo qualquer gororoba que eu fizesse e achando uma delícia, enfim me amando sempre.

No último ano ela começou a investigar uma doença, e eu estive junto com ela, em vários exames, e médicos para tentar entender que doença era essa, já que ela não tinha sintoma algum, a não ser os normais de uma Senhora de 78 anos. Em dezembro os sintomas chegaram, dores fortes na coluna. Em janeiro uma Trombose e uma Embolia Pulmonar, que não a mataram por um milagre. Em março novas Tromboses e uma Isquemia cerebral, e em abril ela foi descansar, deixando um vazio enorme e uma dor profunda dentro do meu peito. Acredite que, por uma doença não diagnosticada até hoje ela se foi.

É claro que me dediquei somente a ela nesse último ano, e de fato não sei a quantas anda a minha saúde, mas já comecei a marcar os médicos para acertar a minha vida, que a dela já está guardada e segura em um lugar muito especial e lindo que sei que foi preparado para ela, porque assim eu pedi para Papai do Céu e sei que ele me atendeu.

Então Fuxiqueiros e Fuxiqueiras no dia Mundial da Saúde venho lhes dizer que não descuidem da sua e muito menos da saúde daqueles que você ama, pois mesmo com cuidados e médicos, as vezes o óbvio fica escondido. Não menospreze nenhum sintoma, se não gostou da resposta de um médico, vá a outro, se lhe apareceu algo pequeno, que tem que ser monitorado, monitore sempre, não descuide, não espere que o médico lhe peça novo exame, lembre você mesmo a ele, que precisa investigar aquele algo pequeno. Não espere que o médico vá se preocupar com a sua saúde ou vida, porque você é quem é responsável por ambas.

Sei que o relato não foi dos mais alegres, como costumam ser os Fuxicos por aqui, mas foi algo que eu precisava fazer para colocar para fora tudo que senti e passei, e também para de alguma forma explicar para vocês meus leitores, porque andei me queixando um pouco, sempre falando que a maré não estava das melhores, não sou disso, nunca fui, mas de verdade ficou muito difícil.

Amo a vida, tenho fé em Deus, sei que ela está bem guardada e cuidada por ele, sei também que minha dor vai diminuir com o tempo, ficando somente uma saudade enorme e as boas e melhores lembranças que a vida poderia ter me dado.

Então cuide-se combinado!

P.S.: Optei por não colocar foto nossa para preservar esse último pedacinho que me resta.

Vamos saber o que nossas amigas conectadas estão fazendo com a saúde delas?

banner-727px

Ana Farias – Trendy Twins

Dafne Dias – Elfinha

Luciana Vilela – Mulher Sem Photoshop

Tina Szabados – Make, Coisa & Tal

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...


6




gravatar
abril 7th, 2016 às 08:14

1

Que lindo! Emocionei… ♥

Responder

Fuxico de Mulher no Facebook

Fuxico de Mulher no Facebook Respondeu:

Era essa a intenção!

Responder

gravatar
abril 7th, 2016 às 10:19

2

Muito emocionante a sua histório, Paty… que bom que vc tem uma história linda dessas pra contar e que percebeu o valor da vida e da saúde enquanto ainda tem muito tempo pela frente para curtir a vida. Obrigada por dividir isso aqui – até entendo que é uma boa maneira de trabalhar seu luto nesse momento, acredite, vai te fazer bem falar sobre isso! Beijos!

Responder

Patricia Respondeu:

Oi Lu,

Foi bem difícil, mas fez bem sim!

Beijo Grande,

Paty

Responder

gravatar
abril 11th, 2016 às 14:42

3

Que relato lindo, Pati! Realmente emocionante!!! Ri e chorei… Acredito muito em outras vidas e, para mim, esses encontros são, na verdade, o reencontro de espíritos com forte afinidade. Ela era sua segunda mãe e vocês vão se reencontrar outras várias vezes. Tenho certeza.

Como você, estou no mesmo “barco” de não cuidar da saúde por um motivo maior… Mas precisamos reverter isso, né verdade amiga?

Vamos lá! Já é hora de recomeçar!!!

Um beijo enooooooooooooooooooooorme! [kiss] [lovee]

Responder

Patricia Respondeu:

Tina,

Acreditamos nas mesamas coisas!

Revertendo em 3 2 1 0, partiu!

Beijos

Responder




[terracota] [starw] [star] [sombrinha] [sombralinda] [sombra] [rimel] [rimel2] [pula] [princess] [passabatom] [owl] [ow] [naked] [naked2] [nail] [metal] [lovely] [loveee] [lovee] [lip] [legal] [kitty] [kiss] [idea] [hihuha] [hahaha] [glossy] [gloss] [gloss6] [gloss2] [drink] [cool] [chuv] [cereja] [cam] [break] [bow] [blush] [blush3] [blarg] [bear] [batomali] [batom3] [batom2] [bad] [baba] [anim] [!!!]